A Escuridão da Mente
Por volta da meia noite, ele ouviu um barulho estranho vindo de sua garagem, quando foi olhar o que se passava avistou um vulto de um rapaz de cabelos compridos, saltando em direção a saída, o rapaz rapidamente chegou no muro e em um segundo havia sumido. Ele começou a pensar e decidiu chamar a polícia, mas antes de discar o ultimo numero ele desistiu e começou a pensar sobre o rapaz, “talvez ele esteja apenas querendo comer ou talvez ele esteja apenas querendo uns trocados”.A cena voltou em sua mente e só naquele momento ele percebeu que uma pessoa normal não conseguiria pular o muro daquela forma. De volta à sua sala, olhou para o relógio na estante e percebeu que já passava das duas da manhã e aquele rapaz não saía da sua cabeça, quando se sentou ele esbarrou numa revista que estava no sofá derrubando-a e ao pegá-la notou o título chamativo, Vampiros, “meu filho sempre larga as coisas dele jogadas por aí”. Ao abrir a revista na metade viu um desenho que lembrava muito o rapaz, cabelos compridos, na noite, escalando um muro alto. “Será que...”.
Mesmo com medo ele foi para o seu quarto, subiu as escadas e no caminho ele decidiu olhar o seu filho para ver se estava tudo bem, ele abriu a porta lentamente e deixou apenas o espaço para colocar a sua cabeça, olhou dentro do quarto e tudo estava normal, o filho adolescente dormia tranqüilamente e ele foi para o seu quarto, deitou-se na cama ao lado de sua mulher, mas não conseguia dormir alem do medo uma insônia já o impedia de dormir bem há vários dias. Meia hora depois ele já estava quase pegando no sono quando ouviu alguns passos no teto de sua casa, bem em cima do seu quarto, rapidamente ele correu para a sacada e tentou olhar para o telhado, mas não viu nada. Ele olhou para os telhados vizinhos, percebeu que eram muito distantes para alguém pular para o seu e que ninguém poderia subir no seu telhado sem o auxilio de uma grande escada. A imagem da revista voltou na sua cabeça, “um vampiro pulando sobre o meu telhado? Será?”. Ele saiu do quarto e desceu as escadas rapidamente pegou a revista e começou a lê-la, viu como os vampiros supostamente atacavam suas vítimas e como afugentá-los, mas faltava-lhe coragem para fazer alguma coisa, apavorado ele ligou para a policia e claro que ele não falou nada de vampiros, apenas falou sobre um suposto assaltante, a policia disse que tinha alguns carros por perto e que os mandaria para lá, mas só o chamaria depois que achassem o suspeito. Depois de agradecer ele desligou o telefone e voltou para o seu quarto, deitou-se novamente e ficou esperando por algum sinal da policia, passou-se uma hora e nenhum sinal, nem da policia nem do tal vampiro, o medo voltou a crescer e uma ansiedade enorme crescia dentro dele, até que ele levou um susto enorme com um vulto que passou muito rápido pela porta de vidro da sacada, e ao chegar no chão o suposto vampiro derrubou alguns vasos e algumas coisas mais que estavam no quintal da frente, mas ele não identificou o que eram essas outras coisas que caíram, provavelmente algumas vassouras que a mulher costumava deixar perto da porta da garagem. Ele levantou rapidamente e olhou pela sacada novamente e viu os vasos e as vassouras jogadas pelo quintal, as vassouras estavam no meio do quintal, provavelmente foram jogadas pelo vampiro, “esse monstro quer o nosso sangue, como vou escapar dessa?”.
Pensou em acordar a família, mas primeiro ele tinha que ter certeza do que estava acontecendo, pois até aquele dia vampiros não existiam para ele, e tudo aquilo era muito estranho. Ele foi para a garagem e começou a procurar a criatura, mas nenhum sinal dela, apenas o rastro das coisas quebradas pelo caminho, seguindo o caminho de coisas quebradas, o vampiro havia ido para o portão e provavelmente o pulou, havia um pouco de terra do jardim na rua, aparentemente formando uma pegada, por um momento ele ficou tranqüilo, porque depois disso ele ouviu mais uma vez um barulho vindo do telhado, quando olhou percebeu algo se movimentando, mas não conseguiu identificar o que era, com mais medo que antes ele correu para dentro de casa e trancou todas portas e janelas, olhou mais uma vez o filho e foi para o seu quarto, todos dormiam tranqüilamente, mesmo o barulho das coisas quebrando no quintal não foi suficiente para acordá-los. Ele começou a pensar em tudo aquilo, e aquele com certeza era o dia mais assustador da vida dele, ele que nunca havia sido assaltado ou sofrido algum tipo de violência, era um dos poucos na cidade que nunca tinham passado por nada assim antes, por isso o medo era muito maior, por não saber o que estava acontecendo, um pavor de morrer o tomava por completo e suas mãos até tremiam. De pé parado no meio do quarto com olhos grandes voltados para porta da sacada, ouviu mais barulho que triplicou o medo que sentia, um gato miava como se fosse a ultima vez, como se pedisse socorro, como se estivesse morrendo, com toda a força que podia ou lhe restava. Ele agiu sem pensar, pegou um chinelo velho no guarda-roupa e o jogou da sacada para o telhado, tentando de alguma forma fazer com que o vampiro parasse com aquilo, depois ele fechou a porta de madeira e a porta de vidro da sacada. O plano pareceu funcionar, aqueles sons pararam rapidamente, mas agora talvez o vampiro ficaria com raiva e quisesse uma nova vítima...
O tempo começou a mudar e parecia que iria chover depois, ventos fortes começaram a soprar, “talvez ele vá embora agora, com esse tempo, acho que ele não gosta de se molhar”, exatamente depois de dizer a ultima palavra, ele ouviu uma forte batida na porta da sacada, por causa da porta de madeira ele não conseguia ver o que havia batido na porta, ele quase gritou com o medo que sentiu, não sabia se deveria acordar sua mulher e filho, afinal, poderia ser qualquer coisa que havia batido na porta, mas por via das duvidas ele colocou um criado mudo na frente da porta e voltou para a cama, depois de mais meia hora se virando na cama ele dormiu.
Na manhã seguinte ele acordou cedo e antes que a esposa acordasse colocou o criado mudo de volta no lugar, enquanto ele tomava café perguntou para a esposa se ela não tinha ouvido nenhum sons estranho durante a noite, mas ela disse que não e ele resolveu ficar calado e não contar nada sobre o vampiro, se levantou lentamente e depois de sair do banheiro foi trabalhar, ele passou o dia todo pensando no vampiro, e se sentiu aliviado por estar um dia ensolarado, ao menos sua familia estaria protegida até anoitecer.
Quando ele chegou em casa, a esposa o abordou dizendo que a policia havia ligado para avisar que prenderam o tal rapaz cabeludo, ela disse que ele era um ginasta circense e que depois que o seu circo faliu o rapaz se tornou um ladrão que roubava apenas coisas pequenas, haviam várias queixas sobre roubos pequenos pela região, mas felizmente ele não roubou nada que pertencia à eles, e o ladrão havia sido preso um pouco depois dele ligar para a policia, mas até conseguir identificar o rapaz e ter certeza que era o rapaz que estava na garagem deles, levou muito tempo, os policias também se desculparam por não terem ligado antes, queriam ter certeza de quem eles pegaram. Após a mulher lhe contar isso ele ficou muito mais calmo e aliviado foi entrando em casa, quando a mulher o chamou e disse mais coisas, ela disse que a vizinha tinha vindo se desculpar, pois seus gatos passaram um tempo durante a madrugada no telhado deles, andaram pelo quintal e derrubaram alguns vasos e vassouras, e todo aquele barulho veio da gata que estava no cio, que se acalmou depois que o vento forte começou arrancando um galho da arvore do outro lado da rua e o jogou na sacada deles. Depois de contar tudo isso a mulher perguntou para ele se por causa da insônia ele tinha ouvido nenhum barulho durante a noite. Extremamente envergonhado ele disse “Não querida, não ouvi nada”.
Escrito por Rafael DarkThoughts às 15h02
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